EUA libera citação de Moraes por e-mail em ação movida por rede social de Trump
A Justiça federal da Flórida autorizou nesta sexta-feira, 22, a Rumble e a Trump Media, dona da rede social Truth Social, a citarem por e-mail o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em uma ação movida nos Estados Unidos contra ordens atribuídas ao magistrado brasileiro.
Com a decisão, o processo passa a ter caminho para avançar nos Estados Unidos, desde que a citação por e-mail seja efetivada. A próxima etapa será a manifestação de Moraes na ação ou eventual pedido de mais prazo. Se não houver resposta, as empresas poderão pedir o registro de revelia, o que pode abrir caminho para novas medidas no processo.
Corte deu prazo de 30 dias
No despacho, a Corte determinou que as autoras têm 30 dias para enviar a citação a dois endereços eletrônicos ligados ao STF. A citação é o ato formal pelo qual uma pessoa é informada de que responde a uma ação e passa a ter prazo para se manifestar no processo.
No mesmo período, as empresas deverão apresentar ao tribunal a prova de que a comunicação foi feita.
Caso Moraes não responda à ação no prazo nem peça prorrogação, as autoras poderão solicitar para Corte que o processo ocorra à revelia. Na prática, isso significa registrar formalmente que o réu foi comunicado da existência do processo, mas não se manifestou no período previsto.
A medida permite que o caso avance sem a participação de Moraes, mas não equivale automaticamente a uma condenação nem a uma decisão final contra o ministro.
Empresas alegam violação da liberdade de expressão
A ação foi apresentada em 2025 pela Rumble e pela Trump Media, ligada ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
Segundo a petição citada no despacho, as empresas acusam Moraes de violar preceitos da liberdade de expressão nos Estados Unidos ao enviar ordens para retirar conteúdo publicado no Rumble e pede que suas decisões sejam consideradas ilegais no país.
Entre os argumentos apresentados, sustentam que as determinações violariam a liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda da Constituição americana, além de leis dos EUA que regulam a responsabilidade de plataformas digitais.
As autoras também afirmam que as ordens contrariam a política pública americana e regras da Flórida sobre o reconhecimento de decisões estrangeiras. A ação ainda inclui alegações de interferência indevida nas relações comerciais das empresas.
Empresas citaram dificuldades na via diplomática
No pedido apresentado à Justiça americana, Rumble e Trump Media afirmaram que passaram meses tentando citar Moraes pelo procedimento internacional previsto na Convenção da Haia.
Segundo as empresas, o procedimento não avançou no Brasil porque o Superior Tribunal de Justiça (STJ) teria pedido manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Advocacia-Geral da União antes de encaminhar a citação para cumprimento por um juiz federal.
As autoras também disseram à Corte que a PGR apresentou uma recomendação para bloquear a citação e que, depois disso, o procedimento no STJ foi colocado sob sigilo.
A Justiça americana registrou essas alegações no despacho e considerou que a demora na via formal poderia provocar atraso indevido no andamento do processo.
Ao autorizar a citação por e-mail, a Corte considerou que os endereços eletrônicos indicados seriam suficientes para dar ciência da ação a Moraes.
Segundo as empresas, um dos e-mails teria sido usado para comunicação com a Rumble em julho de 2025, enquanto o outro estaria publicado no site do STF como endereço do gabinete do ministro.
A decisão foi comemorada pelo advogado Martin De Luca, que representa a Trump Media e a plataforma Rumble nas ações.
“Moraes deve agora responder em um tribunal americano ou enfrentar uma sentença à revelia”, disse nas redes sociais.
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