ES registra aumento de casos de abandono de incapaz
A realidade de crianças e adolescentes vítimas de violência e negligência preocupa conselhos tutelares. Dados do Anuário de Segurança Pública indicam que o Espírito Santo registrou queda de 42% nas ocorrências de maus-tratos entre 2023 e 2024. No entanto, o mesmo levantamento mostra aumento de 12% nos casos de abandono de incapaz.
Um episódio recente de violência contra crianças ocorreu em Vila Velha, quando dois irmãos, um menino de 7 anos e uma menina de 4, foram encontradas sozinhas dentro da casa onde moravam com a mãe, de 25 anos. O caso veio à tona após uma mulher procurar a Guarda Municipal ao presenciar a situação.
Segundo o relato, os irmãos ficavam sem alimentação e passavam longos períodos sozinhos enquanto a mãe saía de casa. Após a intervenção das autoridades, as crianças foram resgatadas e a mãe acabou presa.
De acordo com o gerente de proteção especial do município, João Guilherme Simoura, o trabalho começa quando a denúncia chega aos serviços de assistência.
Quando essa situação chega para as nossas equipes, elas vão entender quem é aquela pessoa, quem é a família daquela pessoa, daquela criança, daquele adolescente, para que a gente possa trabalhar a totalidade do sentido protetivo daquela família, que é o mais importante para a gente.”
João Guilherme Simoura, gerente de proteção especial de Vila Velha
Negligência também é uma forma de violência
Quando se fala em violência contra crianças e adolescentes, muitas vezes o pensamento se volta apenas para agressões físicas. No entanto, a negligência também é considerada uma forma de violência e pode colocar a vítima em situação de risco.
Esse tipo de caso ocorre quando pais ou responsáveis deixam de oferecer cuidados básicos, como alimentação, higiene, segurança ou supervisão, mesmo tendo condições de garantir essas necessidades.
Segundo João Guilherme Simoura, a negligência é caracterizada justamente pela ausência desse cuidado. É a falta de proteção em situações em que ela deveria existir.
Apesar da queda de casos de maus-tratos, o gerente de proteção especial alerta para a subnotificação, que pode esconder casos de violência contra as crianças.
Sempre é possível haver sim uma subnotificação. Por isso, toda vez que a gente vai falar de violência, principalmente contra criança e adolescente, que é uma população um pouco mais vulnerável, a gente pede que as pessoas usem os canais formais de denúncia para que essas situações possam vir para o acompanhamento das nossas equipes.
João Guilherme Simoura, gerente de proteção especial de Vila Velha

Violência atinge todas a classes sociais
Na Grande Vitória, os registros de atendimentos envolvendo violações de direitos de crianças e adolescentes continuam elevados.
Só em 2025, os conselhos tutelares registraram cerca de 7 mil atendimentos na Serra e mais de 6 mil em uma única unidade de Cariacica, números que reforçam a importância da vigilância da sociedade e das denúncias.
De acordo com especialistas da rede de proteção, esse tipo de violência não está restrito a um perfil específico de família ou condição social. Casos de maus-tratos, abandono e negligência podem ocorrer em diferentes contextos e ambientes.
Nós, como pessoas adultas, que temos um pouco mais de conhecimento, precisamos ser vigilantes. Aquilo que acontece na nossa rua, dos nossos vizinhos, nas escolas, nas unidades de saúde, nos locais que a gente acessa, porque muitas vezes pode acontecer de haver uma criança ou um adolescente que passa por uma situação de violência, mas que a gente não sabe e a gente consegue exercer esse papel.”
João Guilherme Simoura, gerente de proteção especial de Vila Velha
Segundo ele, a participação da comunidade é essencial para identificar possíveis situações de risco. A orientação é que qualquer suspeita seja comunicada aos canais de denúncia, já que muitas vítimas não conseguem pedir ajuda sozinhas e dependem da atenção de quem está ao redor.
Como denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes
Casos de suspeita ou confirmação de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados por qualquer pessoa. Os registros podem ser feitos de forma anônima, e as informações são encaminhadas para os órgãos responsáveis pela apuração e proteção das vítimas.
Disque 100 – Direitos Humanos
Canal nacional para denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes.
Atendimento gratuito, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados.
Disque-Denúncia – 181
Recebe denúncias anônimas sobre crimes, incluindo casos de maus-tratos, negligência e abuso contra menores.
Funciona 24 horas por dia.
Gerência de Proteção e Defesa dos Direitos Humanos (GPPDDH)
Canal do Governo do Estado para encaminhamento de denúncias de violações de direitos humanos, incluindo casos envolvendo crianças e adolescentes.
Telefone: (27) 3636-1322
E-mail: [email protected]
Conselhos Tutelares
Os conselhos tutelares de cada município também recebem denúncias e acompanham casos de violação de direitos de crianças e adolescentes.
Cariacica – Conselho Tutelar
Rua Nilton Balestreiro, nº 04, Itacibá
Telefone: (27) 3354-7110
Serra – Conselho Tutelar
Avenida Talma Rodrigues Ribeiro, nº 5416, Portal de Jacaraípe
Telefone: (27) 3252-6163
Vila Velha – Conselho Tutelar
Rua Henrique Moscoso, nº 618, Centro
Telefone: (27) 3149-7430
Vitória – Conselho Tutelar Centro
Av. Marcos de Azevedo, 334 – Parque Moscoso
Telefone: (27) 3132-7059
Vitória – Conselho Tutelar Maruípe
Av. Maruípe, 2544 – Casa do Cidadão, Itararé
Telefone: (27) 3322-9128
Vitória – Conselho Tutelar Região Continental
Rua Vitório Nunes da Motta, 220 – CIAC, Enseada do Suá
Telefone: (27) 3132-7058
*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record.
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