ES de olho na sucessão do SESC
Gutmann: A opinião de quem dirigiu o sistema por meio século
Poucos sabem que, nas últimas décadas o Espírito Santo construiu a segunda maior estrutura do país, para o atendimento ao trabalhador comerciário – um patrimônio hoje avaliado em mais de R$ 8 bilhões. Nessa estrutura incluem-se três Hotéis, localizados no Centro de Turismo de Praia Formosa, no Centro de Turismo de Guarapari e no Centro de turismo de Domingos Martins. Juntos, representam uma capacidade de recepção de quase 4 mil hóspedes, em mais de 1.000 apartamentos.
As receitas diretas vêm do Turismo, Saúde (serviço odontológico) e escolas. Até 2022, a receita compulsória importava em R$ 5.5 milhões, além de R$ 2.5 milhões, perfazendo um total de R$ 7,5 a R$ 8 milhões por mês, e R$ 115 milhões por ano. Atualmente não se sabe, ao certo, qual é o faturamento, cuja queda obrigou os novos dirigentes ajustarem o valor dos serviços para compensar as perdas. Só as diárias foram em aumentadas em 75%. A ocupação média, que era de 42% caiu para 16% e agora, na alta temporada, conseguiu chegar a 25%.


Retrocesso
Para quem observa de longe, aquela grandiosidade perdeu musculatura. Derreteu. Um sintoma de desacerto se observa pelas muitas críticas e reclamações que chegam ao grande público. A grande maioria das reclamações fica sem resposta, em prazos que vão acima de três anos. O otimismo e euforia, entretanto, são encontrados nas publicações sociais dos dirigentes. O que tinha a diretoria anterior de discrição, tem essa de exposição.
Para comentar essa desconfortável situação, procuramos o ex-diretor do Sesc por mais de 50 anos, o jornalista e executivo Gutmann Uchôa de Mendonça. Ele respondeu, em breves palavras com discrição e ética. Fez uma análise apropriada do que sabe e condicionou sua participação à presença também do atual presidente do sistema, o empresário Idalberto Moro.

Segue a entrevista com Gutmann:
Gutman, há pouco tempo você contava sua história de vida onde relatava do meio século que passou como diretor geral do Sesc, de onde saiu há quatro anos por aposentadorias. Agora, parece que, pela primeira vez em 70 anos de existência do Sistema Fecomércio, estaria ocorrendo desagrado com relação à presidência do senhor Idalberto Moro. Você está mais ou menos a par desse movimento?
Agnelo, passei 69 anos como secretário executivo da Fecomércio – e 50 anos como diretor do Sesc. Pelo que me consta não existe animosidade com relação ao empresário Idalberto Moro a frente do Sistema Fecomércio. Mas, a presença do Senhor Idalberto foi tomada apressada. Sem um exame que ele pertence a uma categoria de empresa que ela é única no Estado. Na importação e distribuição de peças e acessórios para bicicletas. Ou seja, ele preside uma federação para ele só, o que veio a ser percebido depois pelos comércios lojista de bens de consumo duráveis e Varejista de Gêneros Alimentícios: um ato tomado de afoito.
Essa posição de uma espécie de “estranho no ninho” do senhor Idalberto tem preocupado os companheiros de Conselho?
Bem, o comércio é muito conservador. Como o presidente Idalberto Moro declarou que só ficará um mandato de 4 anos, espera-se que ele próprio decline de concorrer, principalmente por existir nos comércios tradicionais de peso – Lojista e Varejista, quem queira e possa concorrer. Acho melhor, meu caro jornalista, procurar o senhor Idalberto Moro para que ele informe as intenções dele, diante de sua determinação de ficar apenas um período.
Só mais uma pergunta: você acha que pode surgir outra chapa nas eleições do Sistema Fecomércio?
Nenhum sistema Sindical patronal – comércio, indústria, agricultura, transportes tem condições de ter duas chapas. Precisa ter sabedoria para decidir. O sistema Sindical brasileiro sofre um processo de deterioração acentuada desde que foi assinada a Lei de Reforma Trabalhista, de 24 de julho de 2017, quando desobrigou o pagamento da contribuição Sindical. Se não tiver acordo, dificilmente terá eleição em confederações, federações e sindicatos. Eu duvido quem diga o contrário do que afirmo.
Agnelo, como disse anteriormente, acho que você deve procurar o senhor Idalberto e outros conselhos. Por favor. Não se baseie apenas nas minhas opiniões. No caso da falência do sistema Sindical brasileiro não existe quem possa me desmentir.
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