Dor na mandíbula e estalos ao mastigar: pode ser sono ruim

Abrir a boca e sentir um estalo. Mastigar e perceber dor “na articulação”. Bocejar e travar a mandíbula. Tudo isso é muito comum em pessoas com DTM (disfunção temporomandibular), um termo guarda-chuva para muitas alterações na articulação da mandíbula (ATM) e/ou nos músculos da mastigação.

O que muita gente não sabe é que a DTM raramente é “um problema só da boca”. Ela tem ligação com postura, hábitos diurnos, estresse, dor crônica — e também com sono.

Por que o sono entra nessa história?

Quando o sono é ruim, o corpo perde parte da capacidade de “consertar” microlesões musculares e de regular dor. Resultado: músculos ficam mais sensíveis, a tolerância à dor diminui e as crises podem piorar. Ao mesmo tempo, quem sente dor para mastigar ou falar pode dormir pior por desconforto. É um círculo vicioso clássico: dor piora sono e sono ruim piora dor.

Alguns estudos investigam a relação entre DTM e bruxismo do sono. Embora seja um tema controverso, pesquisas mostram que existe sobreposição em parte dos casos. Um estudo importante avaliou correlações entre bruxismo e DTM com métodos diagnósticos reconhecidos, sugerindo que a relação pode existir, mas não é igual para todo mundo. Os artigos também reforçam que o modo como se avalia o “bruxismo” influencia muito os resultados.

Sinais típicos de DTM

  • Dor ao mastigar ou bocejar
  • Estalos ou sensação de “areia” na articulação
  • Limitação para abrir a boca
  • Dor reflexa no ouvido
  • Dor de cabeça frequente (principalmente temporal)
  • Dor no pescoço e ombros (muito comum junto)
    O que costuma piorar DTM sem a pessoa notar
  • Apertar os dentes durante o dia (este habito esta fortemente associado a tensão e estresse)
  • Mastigar chiclete frequentemente
  • Roer unhas ou morder objetos
  • Dormir sempre de bruços pressionando a mandíbula
  • Estresse com tensão muscular constante

Tratamento que faz sentido (e o que é exagero!):

DTM não tem uma única solução “universal”. O tratamento costuma ser conservador e progressivo e individualizado:

  • Educação e controle de hábitos deletérios a saúde
  • Fisioterapia e exercícios orientados
  • Manejo da dor (quando necessário devem ser prescritos medicamentos)
  • Placa oclusal em casos selecionados
  • Técnicas de relaxamento e melhora do sono
  • Terapias minimamente invasivas com injeções intra-articulares

Cirurgias invasivas (artoscopia e discopexia) são indicados apenas para casos mais graves e que não respondem aos tratamentos conservadores.

O objetivo é reduzir dor, recuperar função e evitar crises. O acompanhamento e tratamento da doenças degenerativas das articulações devem ser realizados ao longo de toda a vida!

E se a pessoa também dorme mal?

Aí o tratamento precisa olhar para o sono: horários regulares, reduzir cafeína à tarde, diminuir telas à noite, controlar ansiedade. Se houver ronco e engasgos, vale investigar apneia, porque isso aumenta microdespertares e tensão muscular.

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Mensagem final: estalo na mandíbula pode até parecer inofensivo no começo, mas quando vem com dor e sono ruim, é um sinal de que seu corpo está pedindo cuidado. DTM tem tratamento — e dormir melhor faz parte dele. Procure um especialista e faça tratamento.



FONTE: Folha Vitória


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