Desvio de R$ 544 mil e arsênio: ex-secretária de médico envenenado começa a ser julgada em Vitória
A ex-secretária Bruna Garcia Barbosa Marinho, acusada de envenenar o cardiologista Vitor Murad, de 91 anos, começa a ser julgada nesta segunda-feira (26), no Fórum Criminal de Vitória. Segundo a denúncia, ela teria colocado arsênio na comida e na água de coco servidas ao médico para encobrir desvios financeiros.
Bruna responde pelo crime de tentativa de homicídio qualificado: cometido por motivo torpe, com emprego de veneno, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, para assegurar a impunidade ou vantagem de outro crime e contra pessoa idosa.
Segundo informações do processo, Bruna teria desviado cerca de R$ 544 mil ao longo de 12 anos. O médico teria começado a desconfiar das irregularidades ao mesmo tempo em que enfrentava problemas de saúde recorrentes.
Envenenamento teria durado mais de um ano
De acordo com a denúncia, Bruna trabalhava como secretária do cardiologista desde 2013 e era responsável pela administração financeira da clínica. A suspeita é de que ela tenha começado a envenenar o médico quando os desvios de dinheiro estavam prestes a ser descobertos.
A vítima passou a apresentar dores intensas no estômago, anemia, fraqueza, agravamento dos sintomas de Parkinson e episódios de vômito com sangue. As complicações de saúde fizeram com que o médico precisasse fechar a clínica, que mantinha há mais de 30 anos.
O caso veio à tona após a descoberta de um frasco de arsênio em um depósito da clínica. Segundo a denúncia, o produto havia sido comprado em nome do marido da acusada. Exames toxicológicos realizados a partir de uma amostra de cabelo do médico apontaram intoxicação prolongada pela substância.
Em entrevista à TV VItória/Record, o promotor de Justiça, Carlos Augusto César afirmou que o fato de a vítima ser médica contribuiu para a descoberta do envenenamento.
Ele, automaticamente, ao perceber que havia o frasco de arsênio e, por ser médico e conhecer os sintomas, fez a associação, foi até a delegacia e a suspeita foi comprovada.
Carlos Augusto César, promotor de Justiça
Descoberta ocorreu após investigação sobre desvios
O assistente de acusação e representante da família do médico, Waldyr Loureiro, relatou que a investigação começou com a apuração de suspeitas de desvio de dinheiro na clínica.
Segundo Waldyr, após a saída de Bruna, outra funcionária encontrou frascos de arsênio no local. A descoberta, associada aos sintomas apresentados pelo médico, levou a família a procurar a polícia.
Ele iria a óbito, isso só cessou porque foi descoberto o caso. Toda a alimentação da clínica era a Bruna que servia, o veneno era colocado na comida.
Waldyr Loureiro, assistente de acusação
Bruna foi presa em outubro de 2025. Conforme as informações do caso, a análise toxicológica apontou sinais de envenenamento por pelo menos 15 meses.
O Ministério Público do Espírito Santo informou que atuará no julgamento para buscar a responsabilização da acusada, respeitando o devido processo legal.
*Com informações da repórter Alê Ximenes da TV Vitória/ Record
Descubra mais sobre Pauta Capixaba
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

