Deputados mantêm veto e Engenheiro Araripe não vai virar patrimônio cultural no ES


Os deputados estaduais decidiram manter o veto integral do Governo do Estado a um projeto de lei que pretendia declarar o estádio Engenheiro Araripe, da Desportiva Ferroviária, como patrimônio cultural material do Espírito Santo. A votação ocorreu na sessão ordinária da Assembleia Legislativa (Ales), realizada nesta terça-feira (26).

O projeto que definia o estádio como patrimônio havia sido protocolado na Casa de Leis em 2024 e aprovado em junho de 2025. Porém, o texto foi vetado pelo governo no ano passado.

Na oportunidade, o governo estadual justificou o veto entendendo que a iniciativa extrapola a competência legislativa e que seria atribuição da Secretaria de Cultura. A Procuradoria-Geral do Estado emitiu parecer de inconstitucionalidade da proposta e ressaltou que, caso fosse aprovado, poderia impedir que o estádio viesse a ser reformado ou ampliado no futuro.

O veto do governo foi levado para análise no plenário da Assembleia Legislativa, nesta terça. Ao todo, 23 deputados votaram, sendo 15 pela manutenção do veto e sete pela derrubada. Para que fosse derrubado, eram necessários 16 votos.

O texto previa a preservação do campo, arquibancadas, parte de trás do estádio (usada como área de treinamento e localizado no lado oposto à Estação Ferroviária Pedro Nolasco) e a arquibancada que abriga o Complexo Municipal Educacional Público Eliezer Batista.

Engenheiro Araripe completou 60 anos

Inaugurado em 1966, o estádio completou 60 anos em fevereiro deste ano e foi celebrado pela Desportiva com uma camiseta especial nesta temporada. Atualmente, o “Monumental de Jardim América”, em Cariacica, tem capacidade para mais de 7 mil torcedores.

Além de ser a casa do time grená, o Araripe também já recebeu a seleção da Austrália durante a Copa do Mundo de 2014 e foi palco de um discurso de Nelson Mandela em 1991.

Camisa da Desportiva para a temporada 2026 homenageia os 60 anos do Engenheiro Araripe. Foto: Divulgação/Desportiva

A deputada Janete de Sá (PSB), autora do projeto de lei que foi vetado, destacou o legado do estádio para o futebol capixaba. O imóvel foi construído em 1964 com recursos públicos da então Companhia Vale do Rio Doce para abrigar a equipe de futebol composta por funcionários.

O nome é uma homenagem ao engenheiro Delecarliense de Alencar Araripe, ex-diretor do clube e engenheiro da Vale, que faleceu em 1964, antes da inauguração.

Atualmente, o Engenheiro Araripe está listado em processo judicial por conta de dívidas de antigo sócio majoritário de uma sociedade anônima formada com o clube. De acordo com a deputada, o projeto visava preservar o estádio em meio à indefinição judicial.



FONTE: Folha Vitória


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