Delegado diz que não se pode descartar ligação com caso Araceli
O delegado-geral do Espírito Santo, José Darcy Arruda, afirmou em entrevista coletiva nesta sexta-feira (6) que não é possível descartar que o assassinato de Dante de Brito Michelini, o Dantinho, tenha ligação com o caso Araceli.
Dante ficou conhecido nacionalmente por ter sido um dos investigados no caso em 1973, quando a menina Araceli Cabrera Sanchez, de 8 anos, foi assassinada em Vitória. Ele chegou a ser condenado pelo crime, mas acabou inocentado anos depois.
Temos um caso de mais de 50 anos atrás, que é o caso Araceli, em que ele esteve envolvido, depois foi inocentado, mas isso também não pode ser descartado. Todas as possibilidades. Também estavam em venda do imóvel, tem a família. Será que ele tinha um bom relacionamento? Tudo vai ser trabalhado, para que a gente não cometa erros.
José Darcy Arruda, delegado-geral da Polícia Civil
Latrocínio descartado
Ainda de acordo com Arruda, a polícia chegou a trabalhar com a hipótese inicial de latrocínio, pois alguns objetos de Dante não foram encontrados durante a primeira vistoria ao sítio.
A hipótese acabou descartada após os objetos, que a polícia acreditava terem sido roubados, serem encontrados em escombros da casa onde ele vivia, que foi incendiada após o assassinato.
“A princípio surgiu a possibilidade de ter sido um latrocínio, porque vários objetos não foram encontrados, mas agora foi atualizado que os objetos estão lá, abaixo dos escombros. É um trabalho que vamos ter que fazer com calma, porque o local é ermo. Agora é o corpo que vai contar sua própria história”, disse.
Piscina do sítio chegou a ser esvaziada
Arruda também esclareceu que a cabeça de Dante, decapitada após o crime, ainda não foi encontrada. Uma piscina no sítio em que ele morava chegou a ser esvaziada para checar se ela estaria na água, mas apenas duas carcaças de tartaruga foram encontradas.
De acordo com ele, o ato de arrancar a cabeça pode ter dois motivos: um crime contratado em que o executor levou a cabeça para o contratante para comprovar que o serviço foi feito. Ou se tratar apenas de sadismo por parte de quem cometeu o assassinato.

O chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, também relatou que a sofisticação da decapitação chamou a atenção dos policiais.
Isso porque na maior parte dos casos em que ocorrem decapitações, o criminoso realiza cortes grosseiros, o que não ocorreu desta vez, em que foi feito um corte fino.
Além disso, foram encontradas duas marcas de faca no corpo, o que indica que ele tenha sido assassinado a facadas.
“A nossa Polícia Científica fez um trabalho muito rápido. Ela nos trouxe à luz que ali realmente era uma cena de homicídio. Houve uma secção de corte fino, então provavelmente uma faca que separou a cabeça do corpo. E também o indicativo de que ele teve duas lesões cortantes na região do tórax. Em tese ele poderia ter levado duas facadas também”, disse.
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