Da sobra ao adubo: projeto transforma resíduos em aprendizagem e sustentabilidade em escola de Jaguaré

Na ECORM São João Bosco, estudantes participam de todas as etapas da compostagem e ajudam a transformar resíduos orgânicos em adubo utilizado na horta e no jardim escolar

O que antes era descartado junto ao lixo comum ganhou uma nova função na Escola Comunitária Rural Municipal São João Bosco, em Jaguaré. Por meio do projeto “Produzindo Adubo a partir do Nosso Lixo”, resíduos orgânicos gerados no cotidiano escolar são separados, coletados e encaminhados para o minhocário, onde passam pelo processo de decomposição até se transformarem em composto orgânico.

A iniciativa surgiu da necessidade de melhorar a destinação dos resíduos produzidos pela escola e, ao mesmo tempo, transformar essa questão ambiental em uma experiência prática de aprendizagem. O projeto envolve estudantes, professores, profissionais da escola, famílias, agricultores parceiros e o Conselho de Escola.

Na prática, o processo começa ainda nos espaços da escola. As cozinheiras separam os resíduos orgânicos provenientes do preparo das refeições, enquanto a equipe responsável pela limpeza recolhe folhas, restos de capina e outros materiais orgânicos. Durante as aulas práticas na propriedade agrícola escolar, os estudantes também participam da coleta e seleção dos materiais que serão encaminhados ao minhocário.

Agricultores e famílias da comunidade também contribuem com materiais orgânicos disponíveis em suas propriedades, como palha de café, munha de pimenta-do-reino, casca de arroz, restos e outros resíduos. A participação amplia o alcance da iniciativa e aproxima o conhecimento desenvolvido na escola dos saberes e práticas presentes no campo.

Aprender fazendo
O minhocário funciona também como um espaço de aprendizagem. Os estudantes acompanham o processo de decomposição, observam as transformações da matéria orgânica e participam de atividades como irrigação, revolvimento, peneiração e utilização do composto.

A experiência permite trabalhar, de forma prática, conteúdos relacionados à decomposição da matéria orgânica, fertilidade e conservação do solo, agricultura e sustentabilidade. Dessa maneira, a compostagem passa a fazer parte das atividades pedagógicas e das aulas práticas de Agropecuária desenvolvidas na propriedade agrícola escolar.

Um ciclo que volta para a própria escola
O projeto estabelece um ciclo de reaproveitamento: o resíduo orgânico é separado, passa pelo minhocário, transforma-se em composto e retorna ao solo por meio da horta e do jardim. A produção da horta, por sua vez, contribui para a alimentação oferecida na própria escola, fechando parte desse ciclo.

Atualmente, a iniciativa envolve 130 estudantes, seis turmas, cerca de 115 famílias e seis comunidades atendidas pela escola. Segundo os registros do projeto, todo o lixo orgânico produzido pela escola é destinado à compostagem, com previsão de produção de aproximadamente 2,4 toneladas de composto orgânico por ano, em três ciclos de quatro meses. A área beneficiada pela utilização do composto chega a cerca de 2 mil metros quadrados.

Novo minhocário amplia a iniciativa
A experiência começou a ser estruturada em 2013, após a participação da escola em uma Conferência do Meio Ambiente. Naquele momento, o Conselho de Escola, junto à equipe de professores, decidiu construir um minhocário para aproveitar os resíduos orgânicos produzidos no espaço escolar.

Durante as obras de reforma e ampliação da escola, entre 2024 e 2025, o antigo espaço precisou ser desativado e destruído. A interrupção, no entanto, não significou o fim do projeto. Em 2026, um novo minhocário foi construído em uma área mais adequada, com estrutura maior e maior capacidade para receber e processar os resíduos orgânicos.

A nova estrutura cria condições para ampliar gradativamente o aproveitamento dos resíduos provenientes da cozinha, da limpeza, das atividades agrícolas e das propriedades parceiras. A escola também vem fortalecendo a separação dos materiais com novos recipientes e contêineres.

Reconhecimento
O trabalho desenvolvido pelos estudantes também já foi apresentado fora da escola. Em 2023, a ECORM São João Bosco conquistou o 2º lugar no Prêmio Biguá. Posteriormente, o projeto foi apresentado na 1ª Feira de Ciências de Jaguaré (FECIJA), onde também recebeu a 2ª colocação.

Mais do que produzir adubo, a iniciativa busca transformar a forma como os estudantes e a comunidade enxergam os resíduos. O projeto mostra, na prática, que materiais descartados podem retornar ao solo e participar novamente do processo de produção.

Na ECORM São João Bosco, a compostagem se tornou parte da rotina escolar e uma ferramenta de educação ambiental, aproximando estudantes, famílias, agricultores e comunidade em torno de uma prática sustentável que pode ser adaptada e reproduzida em outros espaços.


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