Da crise financeira à final: a reconstrução do Estudiantes na Libertadores
Após enfrentar dificuldades econômicas e 17 anos longe da decisão, clube argentino elimina o Flamengo e busca o quinto título continental contra o Palmeiras
O Estudiantes de La Plata está de volta à final da Copa Libertadores após 17 anos. Em meio a uma trajetória marcada por conquistas históricas, dificuldades financeiras e mudanças na gestão, o clube argentino eliminou o Flamengo, na noite desta quinta-feira (22), e garantiu presença na decisão de 2026.
O time comandado por Alexander Medina empatou por 0 a 0 no Maracanã, repetindo o resultado do primeiro jogo, e venceu por 3 a 2 nos pênaltis. O goleiro Fernando Muslera foi o protagonista da classificação, com três defesas nas cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique.
Agora, o Estudiantes enfrentará o Palmeiras, no dia 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, em busca do pentacampeonato continental.
Da crise financeira à recuperação
A caminhada até a final acontece em um período de desafios econômicos para o Estudiantes. No exercício financeiro encerrado em junho de 2025, o clube registrou um déficit contábil de 14,277 bilhões de pesos argentinos, o primeiro resultado negativo em 11 anos de gestão.
A instituição também enfrentou dificuldades envolvendo o empresário norte-americano Foster Gillett, com quem negociou um acordo de investimento e um empréstimo de aproximadamente US$ 9,7 milhões.
Apesar dos problemas, os números mais recentes indicam uma recuperação. Em outubro de 2026, o Estudiantes anunciou um superávit contábil de 457 milhões de pesos e uma redução de 21,47% em seu passivo, que caiu para 38,539 bilhões de pesos argentinos.
O clube também informou a renegociação dos prazos para devolver o empréstimo de Gillett, com pagamentos previstos a partir de 2028.
O papel de Verón na história do Estudiantes

Um dos principais personagens da trajetória recente do Estudiantes é Juan Sebastián Verón.
Ídolo do clube, o ex-meia retornou ao futebol argentino em 2006, depois de atuar na Europa, e foi peça fundamental na conquista do Campeonato Argentino daquele ano, sob o comando de Diego Simeone.
Três anos depois, Verón liderou o Estudiantes na conquista da Libertadores de 2009, quando a equipe dirigida por Alejandro Sabella derrotou o Cruzeiro por 2 a 1, no Mineirão, após empate sem gols na Argentina.
Posteriormente, Verón assumiu funções de dirigente e passou a participar diretamente das decisões administrativas e esportivas da instituição.
Uma classificação histórica no Maracanã
A vaga na final de 2026 veio em uma noite de resistência diante do Flamengo.
Mesmo com a expulsão de Baltasar Rodríguez no início do segundo tempo, o Estudiantes conseguiu segurar o empate sem gols no Maracanã e levou a disputa para os pênaltis.
Nas cobranças, Muslera defendeu três finalizações e garantiu a vitória argentina por 3 a 2.
A classificação encerrou um jejum de 17 anos sem disputar uma final de Libertadores e colocou novamente o clube entre os protagonistas do futebol sul-americano.
Estudiantes busca o quinto título da Libertadores
O Estudiantes conquistou a Libertadores em 1968, 1969, 1970 e 2009. Agora, terá a oportunidade de levantar a quinta taça de sua história.
O adversário será o Palmeiras, que eliminou o Fluminense também nos pênaltis. A decisão marcará um reencontro entre os clubes, que disputaram a final de 1968, vencida pelos argentinos.
A partida está marcada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai.
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