Cúpula da Segurança fala por que exonerou delegado que prendeu Marujo


Pela primeira vez desde a exoneração do delegado que comandou a prisão de Marujo, a cúpula da Segurança do Espírito Santo veio a público explicar os motivos da saída de Romualdo Gianordoli do cargo de subsecretário de Inteligência.

As declarações foram feitas em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (02). A demissão, segundo o delegado-geral José Darcy Arruda, ocorreu por “quebra de confiança” e foi seguida de acusações consideradas infundadas sobre suposta “podridão” dentro da Polícia Civil.

A exoneração de Romualdo do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) aconteceu em outubro do ano passado, logo após a conclusão da Operação Baest, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas no Espírito Santo.

Desde então, o caso desencadeou um grave desentendimento entre Gianordoli e a chefia da Polícia Civil, com troca de acusações que ganharam repercussão nas redes sociais.

Damasceno, Romualdo e Arruda: versões. Fotos: Reprodução/TV Vitória

Operação Baest e desdobramentos

A Operação Baest apurou a atuação de um núcleo responsável por ocultar e dissimular recursos provenientes do tráfico. Entre os desdobramentos, surgiu a suspeita de relação entre um desembargador da Justiça Federal e investigados da operação.

O magistrado, Macário Judice, também foi alvo de investigação da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, por suspeita de vazamento de informações sigilosas a uma organização criminosa.

Veja a entrevista completa do delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darcy Arruda, à TV Vitória:

Nos últimos dias, o nome do governador Renato Casagrande foi citado dentro do contexto das discussões públicas sobre o caso. Diante da repercussão, o Estado se manifestou. O secretário de Segurança Pública, Leonardo Damasceno, descartou qualquer irregularidade envolvendo o governo.

Na Operação Baest não tem qualquer menção ao governador, nem mesmo no relatório final, nos relatórios de análise, e ao Macário Judice também. Isso surgiu quando quando foram feitos os vídeos, informando essas histórias. E por isso, inclusive, que a Polícia Civil está apurando agora na sua corregedoria por que essas histórias não estão mencionadas onde deveriam estar mencionadas, que é no relatório final da Operação Baest, que foi concluída em setembro de 2025″.

Leonardo Damasceno, secretário de Segurança Pública do Espírito Santo

Ainda durante a coletiva, o delegado-geral reforçou que a saída de Gianordoli foi motivada por quebra de confiança na condução do cargo de Inteligência, considerado estratégico dentro da estrutura da segurança estadual.

Investigação paralela, diz Arruda

De acordo com Arruda, Gianordoli fez uma espécie de investigação paralela durante a operação, produzindo relatórios fora da plataforma oficial utilizada pela Polícia Civil e que ele próprio não tinha conhecimento das informações desses relatórios paralelos.

O delegado Romualdo sempre gozou da nossa confiança e da nossa estima. Acontece que o Ciat trabalha em cima de ferramentas auditáveis pela Corregedoria e pelo Ministério Público. E, para nossa surpresa, na investigação Baest não consta nenhum relatório produzido pelo doutor Romualdo. E nós descobrimos, então, posteriormente, que esses relatórios produzidos por ele foram feitos em plataformas fora da ferramenta que é auditável. Isso nos chamou a atenção. Nós tomamos conhecimento, após o depoimento dele na Corregedoria, de que ele tinha produzido esse documento.”

José Darcy Arruda, delegado-geral da Polícia Civil

Informações serão investigadas

Arruda explicou que, agora que a polícia tem conhecimento dos fatos relatados nos relatórios supostamente paralelos, o material está sendo analisado e pode dar origem a uma segunda fase da Operação Baest.

“Porque o material bruto continua lá. Então, está sendo trabalhado agora esse material bruto. O que já foi encaminhado para outros órgãos vai ser apurado por outros órgãos. Se tiver prerrogativa de foro, vai ser apurado por órgãos competentes, como é o caso, inclusive, do desembargador federal. Ele tem prerrogativa de foro”, declarou.

Delegado rebate declarações de cúpula da Segurança

Em entrevista à TV Vitória/Record, o delegado Romualdo Gianordoli rebateu as afirmações da cúpula da Segurança Pública e negou que tenha conduzido uma investigação paralela no âmbito da Operação Baest.

Segundo ele, o inquérito seguiu os mesmos trâmites adotados em outros procedimentos do Ciat, com registros em meio físico e envio ao Judiciário por meio do Processo Judicial Eletrônico (PJe), sempre que necessário.

Romualdo Gianordoli rebateu as declarações da cúpula de Segurança do Estado sobre sua exoneração. Foto: Rodrigo Schereder/TV Vitória

Gianordoli afirmou que a investigação foi submetida três vezes a análise judicial: nos pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal, nas solicitações de medidas cautelares (como busca e apreensão e bloqueio de bens) e, posteriormente, com o relatório final. Para o delegado, esse fluxo demonstra que não houve qualquer atuação à margem do sistema oficial.

Eu refuto totalmente a tese de investigação paralela. A ausência de menção a agentes públicos no relatório final se deve ao fato de que eles seriam investigados em uma segunda fase, como é comum em grandes operações”.

Romualdo Gianordoli, delegado

Romualdo Gianordoli ganhou projeção por liderar operações de grande impacto no combate ao crime organizado. A mais conhecida foi em março de 2024: a prisão de Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, apontado como líder do Primeiro Comando de Vitória (PCV).

*Com informações dos jornalistas Paulo Rogério e Rodrigo Schereder, da TV Vitória/Record.



FONTE: Folha Vitória


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