“Crueldade o que fizeram com a minha filha”, diz pai de mulher grávida encontrada morta no ES
Familiares de Juliana Paulo Pinto, de 29 anos, falaram sobre a morte da mulher, encontrada carbonizada na zona rural de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, nesta quarta-feira (14).
Grávida de quatro meses, ela desapareceu após sair para conversar com o ex-companheiro, na madrugada de segunda-feira (12). Diego Marques Alves, ex-marido da vítima, e Giovana Maria Vieira, atual noiva dele, foram presos por ocultação de cadáver. Juliana e Diego têm um filho de 11 anos.
O corpo da gestante foi localizado na região rural do distrito de Monte Líbano após buscas da Polícia Civil. O pai de Juliana, Aguinaldo Augusto Pinto, lamentou não ter conseguido impedir o que aconteceu. “Uma grande crueldade que fizeram com a minha filha“, afirmou ele.
“Ela era meu xodó”, diz pai
Abalado com a morte da filha, Aguinaldo contou que Juliana era trabalhadora e conhecida pelos moradores do bairro onde vivia com a família. O pai também falou sobre a relação com a filha e a falta que ela fará à família.
“Como é que eu vou abraçar minha filha? Como é que eu vou chamar a atenção dela e ela chamar a minha atenção também? Ela era o meu xodó”, disse emocionado.
Aguinaldo também demonstrou preocupação com o neto, de 11 anos, que perdeu a mãe. O menino ficou abalado e precisou de atendimento hospitalar.
Mãe relata ameaças e agressões
Rosilene Fernandes Paulo, mãe de Juliana, contou que a família ficou sem notícias da filha depois que ela saiu para encontrar o ex-companheiro.
Segundo ela, o filho de Juliana demonstrou preocupação com o encontro. A família começou a buscar informações sobre o paradeiro da vítima após perceber que ela não retornava para casa.
Eu só descobri alguma coisa porque o meu neto contou. Falou que o pai ligou ameaçando e foi até a casa. O próprio filho dela falou: ‘Meu pai sumiu com a minha mãe’.
Rosilene Fernandes Paulo.
A mãe afirmou que Juliana tinha uma medida protetiva contra Diego e que, após a separação, teria sofrido agressões. Rosilene também relatou que a filha vivia sob ameaças.
Além da medida protetiva, Juliana já havia denunciado Diego por violência doméstica quando ambos ainda eram casados.
Desaparecimento
Juliana desapareceu na madrugada de segunda-feira (12). Na ocasião, Diego teria ido à casa da ex-esposa, horas mais cedo, para conversar. Neste momento, o atual marido da vítima estava dormindo.
O filho de Juliana teria ido até o portão da casa e pedido à mãe para ter cuidado durante a conversa, mas logo depois subiu novamente para dentro do imóvel. Neste momento, a vítima teria entrado no carro de Diego.
Ao perceber que a mãe não teria voltado para casa, o filho de Juliana começou a ligar para ela, assim como o marido da vítima, que já tinha acordado.
Foi o marido de Juliana que fez um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil comunicando o desaparecimento da vítima.
Chinelo levou polícia ao corpo da vítima

Ao realizarem buscas pela vítima, policiais encontraram um chinelo que pertencia a Juliana. A peça foi o que levou a polícia ao corpo da vítima, que estava carbonizado.
Imagens do sistema municipal de videomonitoramento identificaram movimentações de um carro, que seria de Diego, no local próximo a onde o corpo foi encontrado.
De acordo com o delegado Felipe Vivas, titular da DHPP de Cachoeiro de Itapemirim, imagens de um posto de combustíveis mostraram o veículo abastecendo e seguindo em direção à região rural de Monte Líbano, onde a polícia localizou o corpo. A equipe realizou diligências na localidade após analisar os registros.
Suspeito denunciou desaparecimento da vítima
Diego chegou a registrar um boletim de ocorrência online sobre o desaparecimento da vítima. No boletim, o suspeito afirma não ter conhecimento do paradeiro de Juliana e chega a afirmar que no momento do desaparecimento, estava cuidando da noiva, que estaria passando mal.
Ainda no documento, Diego afirma que Juliana era usuária de drogas e que, possivelmente, teria se envolvido com algum “indivíduo marginal”. O suspeito também afirma estar afastado do filho por conta da medida protetiva, o que prejudicava seu convívio com ela.
Ele afirma não ter nenhum envolvimento com o desaparecimento e que deseja que a vítima seja encontrada para que “todo este tormento e acusações sobre mim acabe”.
A alegação do suspeito de que Juliana era usuária de drogas é contestada por familiares da vítima.
Casal é investigado por feminicídio e aborto sem consentimento
Diego e Geovana foram autuados em flagrante por ocultação de cadáver. A Polícia Civil também pediu a prisão temporária dos dois investigados pelos crimes de feminicídio e aborto sem consentimento, solicitação que será analisada pelo Poder Judiciário.
Após os procedimentos, os suspeitos serão encaminhados ao sistema prisional e permanecerão à disposição da Justiça, enquanto as investigações continuam.
A polícia ainda não revelou a motivação do crime, mas há suspeita de que o caso tenha sido motivado por insatisfação de Diego em relação ao convívio com o filho.
*Com informações do repórter Rodrigo Schereder, da TV Vitória/Record.
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