Com tática de Trump, Flávio desestabiliza Lula em debate raso e com risco de desanimar o eleitor


Flávio Bolsonaro e Lula debatem na Band. Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O primeiro debate da corrida presidencial deste ano, que colocou cara a cara os candidatos do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e do PL, Flávio Bolsonaro, foi raso em conteúdo — no mesmo tom registrado na campanha até aqui. Os presidenciáveis protagonizaram um espetáculo de provocações mútuas e dificilmente garantiram aplausos além de suas respectivas bolhas eleitorais.

Somente as pesquisas dos próximos dias vão indicar se a participação gerou impacto na conquista de votos, mas não será surpresa caso haja apenas um aumento na taxa de abstenção.

No palco do debate promovido por Band e Estadão, o senador Flávio Bolsonaro dominou a maior parte do tempo. O candidato do PL utilizou o deboche e copiou uma tática aplicada por Donald Trump no embate contra Hillary Clinton nos Estados Unidos, ao caminhar atrás do adversário para atrapalhar cortes destinados às redes sociais.

Integrantes das duas campanhas avaliavam, ao longo da última semana, que venceria o duelo quem apresentasse maior controle emocional. Flávio Bolsonaro manteve a calma, mas avançou tanto nas provocações que transmitiu uma imagem de arrogância, o que impede afirmar se o resultado final foi inteiramente benéfico para ele.

Lula, por sua vez, desequilibrou-se emocionalmente desde o primeiro bloco. O candidato do PT demonstrou desorientação com o posicionamento das câmeras, na formulação das respostas e na gestão do tempo. Irritado, chamou o adversário de “palhaço” e o classificou como “malandro carioca” — reações avaliadas como negativas perante o eleitorado geral.

Experiente em debates após disputar sete eleições presidenciais, Lula gerou expectativas entre correligionários petistas. A avaliação interna era de que o candidato iria “engolir” o adversário e que Flávio estaria mais nervoso no palco, o que não se confirmou.

Pelo contrário, a postura de Lula refletiu uma característica criticada por aliados ao longo do atual mandato: a dificuldade em ser contrariado. Aliados relatam complexidade em apresentar problemas ao presidente durante a toda a gestão Lula 3.

A ideia inicial de um embate morno e direcionado a projeções futuras deu lugar a um enfrentamento focado na troca de ofensas, em detrimento do eleitor. Os dois candidatos apresentaram poucas propostas concretas para a reflexão do público.

Flávio Bolsonaro obteve melhor desempenho em temas de domínio bolsonarista, como segurança pública, e fez Lula cair na armadilha ao abordá-lo sobre a saída temporária de presos. O candidato do PL também trabalhou bem a retórica sobre o impacto do custo de vida na rotina do trabalhador.

Em contrapartida, Flávio deixou de responder a uma série de questionamentos, fato explorado por Lula para expor a esquiva do adversário. O candidato do PT obteve saldo positivo ao abordar a área da saúde, momento em que forçou Flávio a admitir falhas na gestão de seu pai, Jair Bolsonaro, no setor.

Lula utilizou como estratégia de marketing a proposta de abertura de sigilos, recurso recorrente em campanhas eleitorais. A ausência de uma resposta direta de Flávio sobre o tema gerou constrangimento ao senador.

Uma certeza do encontro deste domingo é que a equipe de comunicação de Flávio Bolsonaro, comandada pelo marqueteiro Duda Lima, superou o time de Lula, liderado por Sidônio Palmeira.



FONTE: Folha Vitória


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