Com Hartung fora do jogo, qual caminho o PSD vai seguir?
Nacionalmente, o PSD tenta se consolidar como uma alternativa aos dois candidatos que protagonizam as eleições presidenciais: o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Há uma semana, o partido que tem a quarta maior bancada federal, lançou candidatura própria à Presidência da República, com o ex-governador Ronaldo Caiado encabeçando a chapa, tendo como vice o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.
Com um posicionamento de centro-direita, o PSD tem como aposta herdar os votos dos que rejeitam o extremismo, mas que também não querem a continuidade do atual governo federal.
No Espírito Santo, respeitadas as devidas proporções, os dirigentes do PSD cogitaram fazer o mesmo. Preteridos de um lado e sem espaço de outro, o presidente do PSD capixaba, Renzo Vasconcelos, chegou a projetar uma chapa com candidaturas próprias e de puro-sangue.
A ideia era ter o ex-governador Paulo Hartung encabeçando a chapa e disputando o Palácio Anchieta, com a vice do mesmo partido – podendo ser a primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos, ou o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon – e garantir a candidatura ao Senado de Sergio Meneguelli, além das chapas federal e estadual.
Renzo chegou a dizer para a coluna De Olho no Poder que Hartung estaria disposto a concorrer a um quarto mandato e Meneguelli defendia que o partido teria estrutura para caminhar sozinho.
Porém, na manhã desta segunda-feira (03), Hartung publicou uma nota em suas redes sociais, afirmando que seguiria com a “militância cidadã” – o que foi confirmado pela sua assessoria de imprensa como a decisão de não disputar as eleições deste ano.
O principal trunfo do PSD capixaba deixou o tabuleiro eleitoral e, ao que parece, pegou os dirigentes do partido no Estado de surpresa.
Ainda assim, é uma possibilidade o partido não coligar com ninguém, lançar candidatura ao Senado e uma chapa estadual – a federal está difícil de fechar, segundo apurou a coluna.
E, o principal defensor desse projeto é, sem dúvidas, Meneguelli, que não abre mão de ser candidato.
“Renzo tem compromisso comigo”

Meneguelli disse ter conversado com Renzo após a decisão de Hartung e que o prefeito de Colatina reafirmou o apoio à sua candidatura ao Senado. “Renzo tem um compromisso comigo, enquanto ele tiver a caneta na mão, eu serei candidato”, disse Meneguelli à coluna.
O deputado afirmou que chegou a sugerir que o partido vá para a eleição sem coligar com ninguém, defendendo que seria mais fácil para dialogar depois, com o governante eleito.
Ele não precisa ficar contra candidato nenhum. Pode dizer que vai apoiar aquele que ganhar, que o povo escolher. Na minha opinião, fica até mais fácil de dialogar depois, de sentar e compor. Se eu fosse o presidente, nós sairíamos sozinhos”, disse Meneguelli.
Realmente, para Meneguelli, a situação fica delicada se o PSD decidir pela composição. No grupo do Republicanos, tem a candidatura ao Senado de Maguinha Malta (PL) e a de Evair de Melo (Republicanos) – que ainda não foi confirmado, mas tem 99% de chance de ser.
Do outro, no grupo do governo, tem a candidatura do ex-governador Renato Casagrande (PSB) e da ex-senadora Rose de Freitas (MDB) – que deve ser confirmada na quarta-feira (05), na convenção do MDB.
“Eu estava disposto até a conversar com o Magno e fazer uma dobradinha com a Maguinha. Mas agora tem o Evair. Então, não vejo possibilidade de composição. Rose também não vai abrir mão da disputa”, analisou Meneguelli.
O deputado disse que convidou a primeira-dama para ser sua primeira suplente e que topa disputar mesmo sem ter o apoio do partido.
“Ofereci a Lívia ser minha primeira suplente. Eu só quero uma coisa: minha candidatura. Até se não tiver apoio do partido, não tem problema, eu me viro sozinho. Hoje, minha candidatura depende do presidente”, afirmou Meneguelli.
Mas o cálculo partidário não é feito apenas com a candidatura ao Senado.
O PSD tem a seu favor uma boa moeda de troca, que é o tempo de TV para as propagandas eleitorais. E quer usar isso a seu favor, até mesmo para o partido sair fortalecido dessas eleições.
Até três semanas atrás, o PSD estava fechado com a candidatura ao governo de Pazolini (Republicanos). Mas, a aliança com o PL, que chegou impondo um monte de condições, jogou o PSD para escanteio e esfriou a relação entre os dois partidos.
Renzo abriu conversas com o governador Ricardo Ferraço (MDB), mas o espaço na majoritária – leia-se, na vaga de Senado – também encontra dificuldades por lá.
Renzo foi procurado pela coluna, mas até a publicação não retornou aos contatos. A convenção do PSD está marcada para a próxima quarta-feira (05), às 18 horas – mesmo horário das convenções do MDB e do União Progressista.
Em tempo: Amanhã (04), Renzo Vasconcelos vem a Vitória e vai se reunir com algumas lideranças políticas. A tendência é que bata o martelo sobre o rumo que o partido deve seguir.
Em tempo II: Amanhã também está marcada a convenção do Republicanos.
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