Cenário polarizado e travado para uma 3ª via


A pesquisa Futura, em parceria com a Rede Vitória, sinaliza que, se a eleição presidencial fosse hoje, repetiria o cenário polarizado de 2018 e de 2022, com o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizando a disputa em praticamente todos os cenários.

Os números mostram que o eleitor desconhece ou conhece muito pouco outros possíveis pré-candidatos ao Palácio do Planalto, o que, hoje, inviabiliza o caminho para uma eventual terceira via.

Nomes como os dos governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO), Eduardo Leite (PSD-RS), Ratinho Júnior (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que são cotados para a corrida presidencial, apresentam baixo desempenho e não alcançam, nesse momento, dois dígitos na intenção de votos.

A pesquisa acende um sinal de alerta nos partidos que querem fugir da polarização e não pretendem caminhar nem com o PT e nem com o PL em outubro.

Um deles é o PSD, que recentemente apresentou três pré-candidatos à Presidência, numa articulação liderada pelo presidente da legenda, Gilberto Kassab. Ratinho Júnior, Caiado e Leite são as apostas do partido.

O que mostram os números

A pesquisa, registrada sob o número BR-06607/2026, ouviu duas mil pessoas em 829 municípios, entre os dias 2 e 6 deste mês. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com índice de confiança de 95%.

Em cenários estimulados, em que aparecem os nomes de Lula e Flávio – o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) –, os dois concentram mais de 75% das intenções de voto.

Fora dos dois, a maior pontuação é alcançada por Ratinho Júnior (PSD), que soma 9,1% das intenções de voto.

Num cenário sem a presença de Lula – sendo substituído pelo ministro Fernando Haddad (PT) – o governador do Paraná chega a pontuar 12,6%, ficando atrás de Flávio (38,1%), Haddad (21,2%) e da parcela da população que rejeita todos os candidatos, vota em branco ou que irá anular o voto (15,6%).

O baixo desempenho dos governadores pode ser explicada pelo nível de conhecimento dos eleitores.

A pesquisa mostra que, embora governem estados relevantes, os gestores são pouco conhecidos nacionalmente. E isso é refletido nos números.

Com relação a Lula, 60% dos entrevistados afirmam que o conhecem muito bem. Já com relação a Ratinho Júnior, a maioria (38,4%) diz que já ouviu falar, mas que não o conhece.

Lula e Flávio Bolsonaro. Fotos: Fabio Rodrigues-Pozzebom e Lula Marques/Agência Brasil

O maior adversário de Lula

A pesquisa também mostrou que a situação do presidente Lula não é confortável. Embora a avaliação do Presidente tenha tido uma leve melhora, de fevereiro para março, o petista perde na maioria dos cenários estimulados do primeiro turno.

Em todos os que disputa contra Flávio, Lula aparece atrás. O Presidente só apresenta favoritismo quando a disputa é contra Tarcísio.

No segundo turno, o mesmo panorama: em todos os cenários em que a disputa é contra o filho de Bolsonaro, Lula perde. O Presidente aparece com vantagem apenas contra Zema e Eduardo Leite.

Porém, o maior adversário do presidente Lula não está em outro palanque. Lula lidera o ranking de rejeição, com 47,8% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de jeito nenhum. Flávio vem em seguida, com taxa de rejeição em 41,6%.

O retrato captado pela pesquisa, faltando menos de sete meses para a eleição, sugere que o país segue preso à mesma lógica dos últimos pleitos: dificuldade de surgimento de novos nomes competitivos, somada ao alto nível de rejeição dos principais líderes.

Se o cenário se consolidar nos próximos meses, a tendência é repetir o que aconteceu em 2022, quando uma parcela expressiva do eleitorado escolheu um candidato não por afinidade ou entusiasmo ao projeto político, mas como forma de impedir a vitória do adversário.

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FONTE: Folha Vitória


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