cartas enviadas de presídio falavam para “explodir” bairro
A Polícia Civil concluiu as investigações sobre o assassinato da pequena Alice Rodrigues, de 6 anos, e revelou que o crime foi resultado de uma ordem dada de dentro do presídio para uma facção “explodir” o bairro Balneário de Carapebus, na Serra, onde a menina foi morta em agosto de 2025.
Segundo a polícia, as investigações apontam que a sequência de ataques no bairro começou com cartas enviadas de um presídio de segurança máxima por Lucas Almeida, mais conhecido como Nakamura, por meio da advogada Marina de Paula aos integrantes do grupo que estavam em liberdade.
Segundo o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, o conteúdo era direto e violento: os criminosos deveriam “explodir o bairro”, pois os integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) estavam se fortalecendo.
Ele foi o responsável por encaminhar uma carta, por meio da advogada Marina, dizendo expressamente que eles deveriam explodir o bairro Balneário de Carapebus, porque integrantes do TCP estavam se fortalecendo e poderiam atacar áreas do PCV, dentre eles o que ele comanda que é o “Terereco”.
Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra
A carta foi levada pela advogada até integrantes da facção em liberdade e chegou até Sergio Raimundo Soares da Silva Filho, mais conhecido como “Serginho Cauê”, que está foragido no Rio de Janeiro e considerado um dos mais procurados do Estado.
A partir de uma decisão do chamado “conselho” da organização criminosa, o bairro foi alvo de ataques entre agosto e novembro de 2025.

Em um desses ataque no dia 24 de agosto de 2025, planejava a morte de um rival conhecido como “Batata”, que exercia função de gerência no tráfico. No entanto, os suspeitos confundiram o carro onde estava a família de Alice com o veículo de rivais e atiraram no automóvel.
Alice foi atingida na cabeça e morreu. O pai foi baleado de raspão e a mãe, grávida, ficou ferida por estilhaços. A menina chegou a ser socorrida ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Foi um crime premeditado e planejado. O responsável por dar a ordem direta da execução foi o Serginho Cauê. Ele é o responsável pelas guerras do Primeiro Comando de Vitória (PCV) no Espírito Santo. Quando um bairro é atacado, a ordem tem que vir dele.
Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra
A Polícia Civil indiciou 14 pessoas por envolvimento no crime – nove delas estão presas e cinco são consideradas foragidas.


Ligação e áudios para organizar ataques
Após receber a carta, Serginho Cauê acionou um dos seus principais aliados, Carlos Alberto, o “Bequinha”. Ele foi responsável por realizar uma ligação de cerca de 30 minutos com outros integrantes da facção, na qual o planejamento dos ataques foi definido.
O Bequinha foi o responsável por poucos minutos antes do crime iniciar uma ligação de Whatsapp que durou aproximadamente 35 minutos entre os envolvidos e ali foi definido o planejamento do crime.
Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra
Na sequência, entra em cena Maik Rodrigues, conhecido como MK. A polícia teve acesso a áudios em que ele afirma que iria “explodir” o bairro e inicia o recrutamento de criminosos para as ações armadas.
No dia 24 de agosto, os suspeitos já haviam realizado dois ataques na região e procuravam um integrante da facção rival, conhecido como “Batata”, que exercia função de gerência no tráfico local.
A motivação foi porque eles entenderam que seria o carro de inimigos. Havia informações de patrulhamento do TCP naquele momento. O alvo era o Batata.
Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra
Durante as buscas, o carro onde estavam os suspeitos se deparou com o veículo da família de Alice, que voltava da praia, e abriram fogo. Alice foi atingida na cabeça e morreu ao chegar no hospital.
O autor dos disparos, segundo a polícia, foi Pedro Henrique dos Santos, que estava no carro com outros três criminosos, incluindo o motorista Luiz Fernando de Jesus Santos e um suspeito que portava uma granada.
Após o ataque, os criminosos fugiram a pé pelas ruas do bairro, armados com fuzis. Eles ainda tentaram roubar uma moto em uma sorveteria, mas não conseguiram.
Prisões e organização criminosa
Horas após o crime, equipes policiais prenderam integrantes do grupo, incluindo Marlon Furtado e a advogada Marina de Paula.
O Marlon foi responsável por planejar o crime e recrutar os soldados do tráfico. Já a Marina tinha total ciência dos ataques e fazia a intermediação das cartas entre o sistema prisional e a facção”.
Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra
O organograma da organização ainda inclui outros nomes ligados à logística, fornecimento de armas e planejamento das ações criminosas.
14 indiciados e líderes foragidos


Ao todo, 14 pessoas foram indiciadas, dentre eles estão presos nove pessoas, são elas:
- Lucas Pinheiro – preso
- Maik Rodrigues – preso
- Marlon Furtado – preso
- Marina de Paula – presa
- Pedro Henrique dos Santos – preso
- Luiz Fernando de Jesus Santos -preso
- Bruno Serri Cavalcante – preso
- Arthur Folli Rocha – preso
- Izaque de Oliveira Moreira – preso
Além disso, estão foragidos: Ryan Alves Cardoso, o “R7”; Matheus Farias Pacheco Souza, mais conhecido como “Boca Preta”; Carlos Alberto dos Santos Gonçalves Júnior, o “Bequinha”; Vagner Antônio de Jesus Santos, o “Boca de Lata” e Serginho Raimundo Soares da Silva Filho, o “Serginho Cauê”, que está escondido no Rio de Janeiro, de onde ainda comandaria o tráfico na região.


A Polícia Civil afirma que todos os crimes relacionados à onda de violência em Balneário de Carapebus foram esclarecidos e que as buscas continuam para capturar os líderes foragidos.
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