“Capixaba Storm”: por que o ES é referência mundial no bodyboarding feminino
O ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro vai até domingo (20) na Praia do Solemar, em Jacaraípe, e reúne as melhores bodyboarders do mundo para a última etapa feminina do Circuito Mundial. E uma olhada rápida no ranking confirma um fato: o Espírito Santo é referência mundial na modalidade.
São cinco atletas do Estado entre as 12 melhores do mundo na categoria profissional: Luna Hardman, Neymara Carvalho, Maíra Viana, Maylla Venturin e Bianca Simões.
É a “Capixaba Storm”, fenômeno que mantém há décadas a bandeira capixaba no pódio das principais competições de bodyboarding feminino do mundo.
Capixabas no ranking mundial profissional:
- 2ª Luna Hardman
- 4ª Neymara Carvalho
- 6ª Maíra Viana
- 8ª Maylla Venturin
- 12ª Bianca Simões
Neymara Carvalho: o ícone
Direto da Barra do Jucu, em Vila Velha, Neymara Carvalho não é apenas uma referência estadual. A “Pequena Notável” é o maior ícone do bodyboarding feminino mundial.
Única pentacampeã mundial, chegou ao topo do mundo pela primeira vez em 2003 e repetiu a dose em 2004, 2007, 2008 e 2009. Além disso, é nove vezes campeã brasileira.
Aos 50 anos, “Ney” ainda compete em alto nível e está no sexto round do ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro, evento do qual é a idealizadora.
“Eu quis trazer o Wahine pra cá porque eu viajava o mundo e as meninas me perguntavam de onde eu era. Eu respondia que era do Espírito Santo e tinha que explicar onde fica o Estado. Hoje, elas já sabem e vêm do mundo todo direto pra cá! O Espírito Santo é referência mundial no bodyboarding”, comemora Neymara.

Ícone mundial, ela acredita que a garra capixaba é um dos fatores do sucesso das atletas locais no bodyboarding.
“O capixaba é um povo que não se sente valorizado. Então, como atletas, buscamos com muita raça escrever o nosso nome no esporte mundial. Hoje, é uma realização receber atletas do mundo inteiro e ver o Espírito Santo como protagonista”, destaca.
Luna Hardman: de promessa a realidade
Atual vice-líder do ranking profissional, Luna Hardman pode conquistar em Jacaraípe o seu primeiro título mundial na principal categoria do esporte.
Luna, 20 anos, é filha de Neymara Carvalho e tem no currículo o bicampeonato mundial da categoria júnior.
Ela acredita que crescer perto de referências da modalidade é uma das razões para o surgimento de tantos talentos no bodyboarding do Estado.
“Além da ondas maravilhosas que o Estado tem, a gente tem grandes atletas que foram minha maior motivação. Ver minha mãe, ver a Maylla, ver a Maíra em alto nível me fez querer chegar ao alto nível também. Eu treinei duro, evoluí pra hoje conseguir disputar com elas. O exemplo motiva e acho que este é o maior ponto do sucesso do bodyboarding no Espírito Santo”, avalia Luna.

Caso conquiste o título do ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro, Luna tem chances de se tornar a terceira bodyboarder do Estado campeã mundial profissional, repetindo os feitos de Neymara e de Maíra Viana.
Maíra Viana: o talento “importado”
Maíra Viana é a última brasileira campeã mundial. Em 2024, ela venceu o Circuito Mundial, colocando a cereja no bolo de uma carreira que já tinha conquistas nacionais importantes.
Natural de Duque de Caxias (RJ), Maíra tomou uma decisão importante para a carreira em 2010: morar no Espírito Santo em busca de melhores condições para a carreira de atleta profissional. A decisão se mostrou acertada e a bodyboarder de 38 anos coleciona títulos como os do Circuito Mundial de 2024 e os do Circuito Brasileiro em 2018, 2022 e 2025.
Um dos fatores que motivaram a mudança foi encontrar no Espírito Santo incentivos como os programas de Bolsa Atleta do Governo do Estado e da Prefeitura de Vila Velha.
“O bodyboarding do Espírito Santo é muito forte, tem a Neymara como pentacampeã mundial, mas além disso eu vim também pelos incentivos públicos. Hoje eu tenho o Bolsa Atleta do Governo do Estado e da Prefeitura de Vila Velha, tenho programa de passagens (Voe Atleta da Sesport), tudo isso me fez vir pra cá. Vim pra cá e pude focar 100% no bodyboarding e isso fez toda diferença pra eu conseguir ser campeã mundial e brigar por muitos anos por títulos para o Espírito Santo”, explica Maíra.

Maylla Venturin e Bianca Simões: gerações unidas
Contemporânea de Neymara Carvalho, Maylla Venturin se mantém entre as melhores do mundo no bodyboarding aos 50 anos de idade.
Campeã brasileira em 2024 e bicampeã pan-americana em 2026, ela compete literalmente em casa no ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro, já que é “local” de Jacaraípe. E vê, com orgulho, o surgimento de novos nomes do esporte.
“Acredito que o Espírito Santo se tornou uma referência mundial no bodyboarding feminino porque existe uma história muito forte sendo construída há gerações. Temos mulheres que abriram caminho, como a Neymara Carvalho, pentacampeã mundial; eu, que fui três vice campeã mundial e bicampeã pan-americana, e hoje existe uma nova geração dando continuidade a isso. É um lugar onde as meninas crescem vendo outras mulheres competindo, viajando, conquistando títulos e mostrando a força da mulher capixaba no esporte. Então acaba existindo uma cultura muito forte do bodyboarding feminino aqui”, avalia Maylla.

Em Jacaraípe, ela também disputa o título mundial da categoria master e está classificada para as quartas de final, que terá baterias decisivas nesta quinta-feira (17).
Eu acho muito bonito fazer parte dessa história e, ao mesmo tempo, poder inspirar outras meninas que estão começando, mostrando que o mar também pode ser um lugar para elas”
Maylla Venturin
Já Bianca Simões é representante da nova “safra” de atletas de alto nível do bodyboarding capixaba. Cria do Instituto Neymara Carvalho, ela tem 20 anos e disputa, este ano, sua primeira temporada como profissional, já aparecendo entre as 12 melhores do mundo.
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