Briga judicial do capixaba Richarlison e Flávio Bolsonaro por mansão de R$ 10 milhões volta à tona


Fotomontagem: Reprodução/Instagram @richarlison e Lula Marques/Agência Brasil

A briga judicial entre o atacante capixaba Richarlison e um amigo do senador Flávio Bolsonaro por conta de uma mansão avaliada em R$ 10 milhões voltou à tona e movimentou as redes sociais.

A disputa pelo imóvel na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ) começou em 2022 e teve desfecho na Justiça em 2025. O jogador desabafou nos comentários de uma publicação da advogada Ana Paula Zantut que explicava o caso, republicou o vídeo nos stories e até marcou Flávio.

Realmente, gastei em torno de R$ 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou, até hoje, sem receber a minha grana!

Comentário de Richarlison no vídeo da advogada que relembrou o caso.

No fim das contas, a mansão está sob posse da WT Administração de Imóveis, do advogado Willer Tomaz. Do lado do capixaba, as partes do caso eram a Sport 70 Intermediação de negócios, empresa em que um dos sócios é o ex-empresário do atacante Renato Velasco, e uma outra empresa, a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, de Richarlison e de seu pai, Antonio Andrade.

O caso tramitou por três anos na Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Sport 70 e Renato Velasco apresentaram a desistência do processo em agosto de 2025, depois de uma sentença favorável em março de 2025 e uma tentativa sem sucesso de recursos.

Mansão tem heliponto, cachoeira e praia particular

A briga judicial envolve a origem da compra e de quem tinha direito à posse do imóvel. A mansão tem heliponto, praia particular, acesso a cachoeira e 11 suítes.

A empresa de Tomaz afirma que comprou a propriedade da M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos, que sabia dos moradores do local e, mesmo assim, estava disposta a entrar na disputa para recuperar a posse.

“Como o imóvel não é um bem comum particular, mas, sim, um bem imóvel de domínio da União, não é passível de usucapião ou de posse justa por quaisquer pessoas que não estejam autorizadas”, destacou a WT na petição aberta em 2022.

Richarlison e seu antigo empresário já estavam ocupando o lugar, após transação feita em 2020. A compra feita por eles apontava uma cadeia de posse completamente distinta. A empresa M Locadora abriu o processo contra a Sport 70 Intermediação de negócios.

O imóvel objeto da presente demanda foi abandonado pelo demandante (M Locadora), sendo certo que, quando do ajuizamento este não se encontrava na posse há pelo menos 11 anos. Tal afirmação é comprovada com vasto e robusto acervo documental capaz de demonstrar que demandado (Sport 70, Renato) adquiriu a posse do imóvel de quem já mantinha a posse do imóvel há muitos anos.

Afirmação feita pelo lado de Richarlison em um dos processos.

Qual a relação de Flávio com a briga judicial?

Segundo o vídeo da advogada, em 2020, quando o jogador comprou a mansão, o senador teria demonstrado interesse no imóvel e teria tentado reverter a venda, após saber da negociação com Richarlison.

Flávio Bolsonaro não é parte do processo e, desde 2022, já havia negado envolvimento na briga judicial, afirmando que a defesa de Richarlison o envolveu na disputa pela mansão.

A defesa dele me arrolou como testemunha numa disputa de imóvel no RJ, sem eu ter absolutamente nada a ver com o tema. Parabéns ao craque Richarlison pelo golaço e pela 1ª vitória do Brasil na Copa do Mundo.

Publicação feita em novembro de 2022 por Flávio Bolsonaro.

Em 2021, Flávio visitou o imóvel com o advogado Tomaz, que o informou sobre a venda da propriedade para a empresa do jogador capixaba. De acordo com a UOL, a assessoria do senador destacou que ele não comprou, vendeu, intermediou e nem possui qualquer vínculo com a casa.

“Flávio foi arrolado apenas como testemunha pela empresa do atleta que chegou a ter posse do imóvel. O processo entre proprietário e possuidor foi encerrado na Justiça e, nesse caso, cabe aos respectivos envolvidos qualquer manifestação”, disse a assessoria a UOL.

Pessoas relacionadas à empresa de Tomaz afirmam que Flávio não deu nenhum depoimento, já que não houve audiência de instrução para isso.

Desistência de Richarlison

Renato Velasco, ex-empresário do capixaba, assinou um documento em que as partes originalmente ligadas a Richarlison renunciaram e declararam que a WT é “a única titular de direitos de ocupação e posse sobre o bem”.

Após a desistência, o caso tramitou em julgado e foi arquivado.

Quem vendeu para Richarlison?

Em um trecho da petição de 2022, a defesa da Sport 70 disse que em 2011, “Celso de Souza Silva, por intermédio de seu procurador Antônio Marcos Pereira da Silva, adquiriu em conjunto com Renato Pinto Cunha, a posse do imóvel do Sr. Maurício Figueiredo que além de se encontrar na posse do imóvel, por ocasião da cessão onerosa afirmou ter adquirido da M. Locadora de Veículos LTDA., há muitos anos”.

Nos autos, os responsáveis pela M Locadora tentaram anular a venda para WT, após o primeiro pagamento já ter sido feito, no valor de R$ 300 mil. No fim, a Justiça validou a posse para a WT.

Vídeo removido

A advogada Ana Paula Zantut, que publicou o conteúdo repostado por Richarlison, apagou o vídeo. Em nota, ela explicou a decisão, afirmando que percebeu imprecisões ao narrar o caso.

Após exame mais aprofundado e ciente de que existe documentação processual muito além do quanto antes veiculado pela mídia, verifiquei que a comunicação inicialmente realizada continha imprecisões relevantes sobre aspectos fáticos e jurídicos essenciais do caso, inclusive em relação a partes envolvidas, desenvolvimento de acontecimentos, direitos envolvidos e natureza jurídica das controvérsias, todas essas circunstâncias que recomendam imediata correção e retificação.

Por essa razão, esclareço desde logo que os vídeos foram apagados e ficam integralmente sem efeito e devem ser desconsideradas todas as afirmações, interpretações, conclusões ou explicações constantes da publicação.

Nota da advogada Ana Paula Zantut.

*Com informações do UOL e NSC Total.



FONTE: Folha Vitória


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