Ataque que feriu criança e mais 4 moradores em Vitória foi “aleatório”
O ataque a tiros registrado no início de janeiro no Morro do Quadro, em Vitória “ocorreu de maneira aleatória“, afirmou a Polícia Civil. Ação teve como plano de fundo a disputa entre as facções criminosas do Primeiro Comando de Vitória (PCV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Durante o crime, ocorrido por volta das 17 horas de 4 de janeiro, um domingo, cinco pessoas foram baleadas, entre elas uma criança de 3 anos, um adolescente de 13 anos e três adultos.
Segundo a investigação da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em coletiva nesta quinta-feira (19), quatro suspeitos – um deles é adolescente – foram indiciados pelo ataque.
A polícia apurou que atiradores saíram do bairro Cabral com o objetivo de atingir integrantes de uma facção rival, mas não tinham um alvo específico.
Ao chegarem ao Morro do Quadro, passaram a circular pelo bairro e atirar contra quem encontrassem pelo caminho. Famílias e crianças estavam nas ruas quando os criminosos efetuaram mais de 30 disparos.
Eles pegaram um carro, foram até o Morro do Quadro, os quatro desembarcaram e começaram a patrulhar ali, à procura de alguém. O alvo era qualquer faccionado do PCC, que é a facção rival”.
Moreno Gontijo, o delegado adjunto da DHPP de Vitória.
Crime é resultado de guerra de facções
As investigações apontam que o crime é resultado da disputa entre grupos criminosos que atuam em Vitória. De um lado, o grupo do Cabral; do outro, o Morro do Quadro. Segundo a polícia, essa guerra é antiga, mas havia sido contida ao longo do último ano.
“Essa guerra não começou agora, é antiga. Entretanto, no último ano, ela tinha estancado devido a um intenso trabalho das forças de segurança. Agora, nesse caso específico, foram cinco tentativas de homicídio”, disse o delegado.
A trégua foi rompida no fim de 2025, após um ataque no Cabral que terminou com a morte de um integrante do tráfico.
A guerra reiniciou agora, em dezembro de 2025, porque os traficantes do Morro da Chapada, que é o Chapada Quadro, deram um ataque no Cabral e mataram um olheiro do tráfico deles. Então, ‘startou’ ali no final de 2025″.
Moreno Gontijo, delegado
O episódio reacendeu o conflito e levou a uma sequência de represálias, incluindo o atentado registrado em janeiro. “Esse ataque foi um revide dentro dessa guerra”, explicou.
Quatro envolvidos foram identificados
Ao todo, quatro participantes diretos do ataque foram identificados. São eles:
- Matheus Coutinho de Abreu, o “Ratão” – preso poucos dias depois. Ele tentou fugir pulando do segundo andar de uma casa no Cabral, mas foi capturado.
- Juliano Santos de Oliveira, o “Jota” – já estava preso por outro homicídio.
- Adolescente de 17 anos – teve a internação representada, mas a polícia aguarda decisão da Justiça. Ele está em liberdade.
- Gabriel França Ferreira, o “Tchola” – está foragido
Eles foram indiciados por cinco tentativas de homicídio qualificado, além de associação armada para o tráfico de drogas e corrupção de menores. O adolescente responderá por ato infracional.
*Com informações da repórter Marla Bermudes, da TV Vitória/Record
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