Após crise na Polícia Civil, novo delegado não descarta demissões
O novo delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), Jordano Bruno Gasperazzo Leite, afirmou que não vai hesitar em adotar medidas rigorosas caso sejam confirmadas irregularidades cometidas por policiais civis investigados na Operação Turquia.
Segundo ele, a prioridade da nova gestão será garantir transparência e dar respostas rápidas à população em meio à crise que atingiu a corporação. Jordano ainda não assumiu o cargo, pois ainda falta a publicação de sua nomeação no Diário Oficial do Estado, o que deve ocorrer nos próximos dias.
Em entrevista a TV Vitória/Record, após ser anunciado para o cargo, Jordano destacou que a prisão de policiais civis, especialmente do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), é um fato que entristece a instituição, mas ressaltou que a maioria dos profissionais atua com honestidade e compromisso no combate ao crime.
Quando fica comprovado que um policial civil, um servidor público, se envolveu em um crime, ele responde criminalmente, pode ter pena de prisão, perda do cargo e também responde administrativamente. Ficando comprovado, existe a possibilidade de demissão do serviço público.
Jordano Bruno Gasperazzo Leite, delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES)
O delegado acrescentou que, ao assumir oficialmente a função, uma das primeiras providências será se inteirar completamente das investigações em andamento, em parceria com a Corregedoria, o Ministério Público e a Polícia Federal do Brasil, para acelerar a apuração dos fatos.
“Se houver outros policiais envolvidos ou novos fatos, nossa intenção é apurar isso rigorosamente e apresentar à população, cumprindo nosso dever de transparência”, disse.
Tecnologia e inteligência serão marcas da nova gestão
Além das medidas disciplinares, o novo delegado-geral afirmou que pretende investir fortemente em tecnologia como pilar da modernização da corporação.
Entre as propostas, ele citou a ampliação do uso de ferramentas de inteligência, sistemas de videomonitoramento e integração de dados para agilizar investigações e fortalecer a produção de provas.
Não vou deixar de trazer o que hoje me especializei, principalmente em tecnologia e gestão de pessoas. Quero deixar minha marca em uma Polícia Civil mais tecnológica, com gestão e entrega. A inteligência e a tecnologia vão ser um marco da minha gestão.
Jordano Bruno Gasperazzo Leite, delegado-geral da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (PCES)
O delegado também afirmou que dará atenção especial à estrutura da Corregedoria, com a possibilidade de ampliar equipes, modernizar protocolos e garantir recursos tecnológicos para fortalecer o controle interno da instituição.
“Vamos ser proativos. Se precisar, vamos aumentar equipe. Precisamos dar uma resposta. Não podemos nos omitir”, completou.
Entenda a troca no comando da Polícia Civil
A nomeação de Jordano ocorre após a saída do então delegado-geral José Darcy Arruda, que pediu exoneração do cargo na última sexta-feira (3). Segundo o governo do Estado, a decisão foi motivada por questões de saúde e pela aposentadoria do delegado, que comandava a corporação desde 2018.
O anúncio foi feito pelo governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, que destacou a experiência de Jordano na área de inteligência e na modernização das forças de segurança.
Delegado de classe especial, Jordano ocupava até então o cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP) e possui especialização em Direito Público e em Políticas e Gestão em Segurança Pública.
Ao longo da carreira, atuou em delegacias no interior do Estado e em unidades especializadas no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.
Operação Turquia investiga ligação de policiais com o crime organizado
A mudança no comando da Polícia Civil ocorre em meio à repercussão da chamada Operação Turquia, investigação que apura o possível envolvimento de policiais civis com o crime organizado e o tráfico de drogas.
O caso ganhou destaque após a prisão de agentes e gerou questionamentos internos e externos sobre a atuação da corporação. Dias antes de deixar o cargo, o então chefe da Polícia Civil esteve no centro de uma polêmica relacionada à divulgação do nome de um delegado que atuava como testemunha em uma investigação considerada sensível.
A situação aumentou a pressão institucional e marcou um momento de crise dentro da segurança pública estadual, cenário que agora passa a ser administrado pela nova gestão da Polícia Civil.
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