“Angustiante”, diz mãe de garoto morto ao ser jogado da Segunda Ponte


Um ano após a morte de Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, a família do adolescente ainda espera pelo julgamento dos três policiais militares suspeitos de terem jogado o menor da Segunda Ponte no dia 18 de fevereiro de 2025.

A mãe de Kaylan, a auxiliar administrativo Leicester Ladário, conversou com a reportagem do Folha Vitória e classificou como angustiante a espera pelo julgamento, que ainda não foi marcado.

O cabo Franklin Castão Pereira, o soldado Luan Eduardo Pompermaier Silva e o soldado Leonardo Gonçalves Machado foram indiciados por homicídio qualificado e estão presos no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Vitória.

Kaylan Ladário dos Santos tinha 17 anos. Foto: Reprodução/TV Vitória

“Para a família, essa é uma espera muito longa, dolorosa e angustiante”, desabafou a mãe. O caso será julgado pelo Tribunal do Júri.

Não estou aqui para julgar a Polícia Militar. Eu quero que os assassinos do meu filho sejam condenados, independentemente de qual seja a profissão deles. O que fizeram com o meu filho foi covarde, foi brutal. Meu filho não estava apresentando risco para eles. Eu espero que o júri entenda que foi isso que aconteceu.”

Leicester Ladário, mãe de Kaylan

No dia 22 de outubro de 2025, o Folha Vitória publicou o depoimento dos três policiais presos pelo crime. As oitivas foram gravadas em vídeo.

No depoimento, o cabo Franklin Castão disse que Kaylan pulou da ponte e que acreditava que o adolescente havia feito isso para fugir. Os outros dois policiais disseram que não viram a situação.

A mãe de Kaylan não acredita na versão do cabo Franklin. “Kaylan não faria isso, não tem o menor sentido. Meu filho amava a vida, era um menino alegre, ele amava viver. Ele nunca faria isso, ainda mais não sabendo nadar. Ele tinha trauma porque uma vez a gente foi na praia e ele acabou se afogando. Ele tinha medo de altura. Ele nunca iria se jogar”, afirmou nesta quinta-feira (19) à reportagem.

Da esqueda para a direita: Leonardo Gonçalves Machado, Luan Eduardo Pompermaier Silva e Franklin Castão Pereira. Foto: TV Vitória/Reprodução

Vídeo flagrou ação em cima da ponte

O crime aconteceu no dia 18 de fevereiro, quando o adolescente foi abordado pelos policiais no bairro Aparecida, em Cariacica, porque tinha um mandado de apreensão em aberto.

Ele foi levado para a Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle), em Vitória, mas estava com o mandado vencido.

O delegado que atendeu a ocorrência orientou os policiais militares a levarem o adolescente de volta para casa, em Cariacica. No trajeto da volta, o garoto desapareceu e foi encontrado morto no dia seguinte, na orla da cidade.

Durante as investigações, os três PMs foram presos, suspeitos de terem jogado o adolescente da Segunda Ponte. Na época, a reportagem da TV Vitória teve acesso ao vídeo que mostra policiais arremessando algo da ponte. O vídeo consta como prova do caso.



FONTE: Folha Vitória


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