Adolescente é investigado por ameaças de ataque a escola em Cariacica


Os delegados Gabriel Monteiro, Jordano Bruno, Brenno Andrade e Ícaro Olímpio durante coletiva da Sesp. Foto: Divulgação/Sesp

Um adolescente de 13 anos é investigado por enviar e-mails com ameaças de ataque a uma escola particular de Cariacica, em agosto deste ano. As mensagens continham ameaças diretas, imagens e referências a um possível ataque contra a instituição. Um celular foi apreendido na casa do adolescente e será submetido a perícia.

A investigação contou com apoio jurídico internacional, incluindo a Embaixada da Suíça e o Ministério da Justiça, em Brasília, para obtenção de dados técnicos que teriam relacionado o adolescente às mensagens.

Em um dos e-mails, o autor chegou a indicar que acreditava estar sendo monitorado pela polícia e enviou uma foto com um simulacro de arma de fogo.

Foto: Reprodução/Sesp

“A polícia não irá proteger vocês, não vão pegar nada. O Brasil não tem o mínimo senso de justiça, então não adianta. Quanto mais atos iguais ao meu, melhor para um mundo mais puro, longe de almas sujas e impuras”, afirmou o menor em uma das mensagens.

O caso começou a ser apurado em 31 de agosto, após o registro de um boletim de ocorrência. Segundo a Polícia Civil, os e-mails enviados à escola tinham o mesmo título e apresentavam conteúdos relacionados à possibilidade de violência contra estudantes.

Adolescente teria tentado mexer no celular

De acordo com o chefe da Divisão Patrimonial (DRCCP) e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade, com os dados a Polícia conseguiu a identificação do adolescente.

Policiais foram à casa do menor e, ao chegar ao imóvel, o adolescente não teria colaborado com a abordagem.

Segundo ele, o menor teria, inclusive, mexido no celular, o que poderia demonstrar uma tentativa de apagar provas e adotou as medidas consideradas necessárias durante a abordagem.

Ao chegarmos à residência, inicialmente, o menor não colaborou com a polícia. Inclusive ele começou a mexer no aparelho de telefone e quando acontece algo assim, entendemos que ele pode estar apagando provas do crime.

Breno Andrade, titular da DRCCP

Ainda segundo o delegado, o pai do adolescente chegou posteriormente ao imóvel e também não colaborou com os policiais.

Conforme o relato policial, ele demonstrou preocupação com possíveis consequências do caso para um pedido de porte de arma que estaria sendo analisado pela Polícia Federal.

“Em uma atitude não colaborativa, ele ficou mais preocupado em um pedido de porte de arma que fez junto à Polícia Federal, do que em algo em que o filho havia se envolvido”, afirmou o delegado.

Adolescente e pai foram levados à unidade policial. Durante a oitiva, ainda de acordo com a Polícia Civil, o garoto confessou ter enviado as mensagens.

O celular apreendido será periciado. A intenção é verificar se existem outros envolvidos e se o aparelho contém elementos relacionados a outros possíveis crimes.

Contato com conteúdo extremista

Durante o depoimento, o adolescente contou que utilizava o aplicativo Discord desde os 10 anos e que consumia conteúdos desse tipo havia pelo menos três anos, segundo a Polícia Civil.

De acordo com a investigação, o adolescente teria frequentado grupos mantidos de forma anônima nos quais eram compartilhados arquivos relacionados a práticas criminosas, apologia ao nazismo, racismo e outros conteúdos ilícitos.

A Polícia Civil aponta ainda que as mensagens encaminhadas à escola apresentavam referências associadas a ideologias extremistas e à supremacia branca.

Foto: Reprodução/Sesp

Capturas de tela no celular do adolescente mostram simulacro de arma, além de ameaças a “crianças negras”. Além disso, dizia que o ataque planejado por ele seria um “ato santo”.

Por conta do conteúdo, os investigadores relataram que os termos são utilizados de forma recorrente em discursos extremistas.

Pais podem ser responsabilizados

A investigação continua e ainda busca esclarecer se houve participação de outras pessoas, além de apurar eventuais crimes relacionados ao conteúdo encontrado.

A Polícia Civil também avalia a possível responsabilidade dos pais do adolescente. Segundo a corporação, os responsáveis podem ser chamados a responder civilmente por eventuais danos materiais ou morais decorrentes de atos infracionais praticados por menores.

A polícia cita ainda possíveis consequências previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em situações de eventual omissão no exercício do poder familiar. Na esfera criminal, uma responsabilização dependerá da comprovação de eventual conivência.

No Espírito Santo, forças de segurança e outras instituições integram o Núcleo Especializado de Segurança Escolar.

A Polícia Civil afirmou que a divulgação do caso também tem como objetivo alertar famílias e a comunidade para a importância do acompanhamento do comportamento e do conteúdo consumido por crianças e adolescentes, tanto em situações envolvendo possíveis autores quanto vítimas de ameaças.

“Isso não pode ser naturalizado, os pais têm que monitorar, têm que acompanhar, aconselhar tanto a criança que está sendo vítima quanto a criança que está praticando”, disse o delegado.

*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record



FONTE: Folha Vitória


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