5 curiosidades sobre o Congresso Nacional que você talvez não saiba


Fachada do Congresso Nacional, Mário Juruna, Chapelaria, escritas de candangos e Manoel da Motta Monteiro Lopes. Fotos: Gabriel Barros/Folha Vitória, Acervo/Câmara dos Deputados, Gustavo Lima/Acervo/Câmara dos Deputados, Leonardo Prado/Câmara dos Deputados e Acervo/Câmara dos Deputados

O Congresso Nacional, formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, participa de decisões que afetam diretamente o cotidiano dos brasileiros. No entanto, muito além das votações no Plenário, o Legislativo brasileiro também é marcado por fatos curiosos que pouca gente conhece.

Confira seis curiosidades:

1. Por que o Congresso tem duas “conchas”?

Quem olha para o Congresso Nacional logo percebe duas grandes cúpulas, uma voltada para cima e outra para baixo. A diferença não é apenas estética: cada uma representa uma das Casas do Legislativo brasileiro.

A cúpula em formato de “prato”, voltada para cima, é a da Câmara dos Deputados, enquanto a cúpula em formato de “tigela”, voltada para baixo, pertence ao Senado Federal.

O contraste foi pensado pelo arquiteto Oscar Niemeyer para dar identidade própria aos dois espaços e, ao mesmo tempo, criar uma das imagens mais marcantes de Brasília. As cúpulas, os prédios em forma de torres e a grande área aberta ao redor formam um conjunto que se tornou um dos principais símbolos arquitetônicos da capital.

Congresso Nacional. Foto: Gabriel Barros/Folha Vitória

2. O primeiro deputado negro do Brasil

Manoel da Motta Monteiro Lopes chegou à Câmara dos Deputados em um Brasil que havia abolido a escravidão apenas 21 anos antes. Nascido no Recife, em Pernambuco, em 1867, filho de africanos, formou-se em Direito e trabalhou como advogado, promotor e juiz antes de entrar para a política. Sua trajetória aconteceu apenas duas décadas depois da abolição da escravidão

Em 1909, foi eleito deputado federal pelo Distrito Federal, então a cidade do Rio de Janeiro. Mas sua eleição foi cercada de controvérsia: Monteiro Lopes precisou ser eleito duas vezes para a mesma vaga, porque sua primeira eleição foi anulada sob alegações de irregularidades. Mesmo depois de vencer novamente, houve resistência ao reconhecimento de sua vitória e à sua diplomação.

A disputa tinha também um forte componente racial. A presença de um homem negro em uma das principais instituições políticas do país incomodava setores da sociedade e da própria política da época. A tentativa de barrar sua posse provocou a mobilização de organizações negras e de trabalhadores, que pressionaram pelo reconhecimento de sua eleição.

Monteiro Lopes acabou assumindo o mandato e se tornou uma figura pioneira da representação negra no Congresso.

Manoel da Motta Monteiro Lopes, primeiro deputado federal negro do Brasil
Manoel da Motta Monteiro Lopes, primeiro deputado federal negro do Brasil. Foto: Acervo/Câmara dos Deputados

3. O deputado que andava com um gravador

Mário Juruna, líder do povo Xavante e primeiro deputado federal indígena do Brasil, exerceu mandato na Câmara dos Deputados entre 1983 e 1987. Ele ficou conhecido por uma imagem inusitada para os corredores do Congresso: andava com um gravador portátil nas mãos.

O aparelho tinha uma função política. Juruna costumava procurar ministros, parlamentares e outras autoridades para reivindicar direitos e cobrar providências para os povos indígenas. Como muitas vezes recebia promessas de que seus pedidos seriam atendidos, ele começou a gravar as conversas.

Depois, quando as promessas não eram cumpridas, Juruna voltava às autoridades e apresentava as gravações para lembrar exatamente o que havia sido dito. O gravador se transformou, assim, em uma espécie de instrumento de cobrança e também em uma marca de sua atuação política.

A estratégia chamou a atenção dentro e fora do Congresso. Juruna usava as próprias palavras das autoridades para cobrar compromissos e denunciar o que considerava descaso com os povos indígenas. A imagem do deputado Xavante circulando pelo Congresso com um gravador virou uma das mais marcantes da política brasileira dos anos 1980.

Cacique Mário Juruna foi deputado e andava com gravador para cobrar promessas de autoridades
Cacique Mário Juruna foi deputado e andava com gravador para cobrar promessas de autoridades. Foto: Acervo/Câmara dos Deputados

4. Por que a entrada do Congresso se chama Chapelaria?

O nome “Chapelaria” pode até parecer curioso hoje, mas tem origem em um hábito bastante comum na época da construção de Brasília. Quando o Congresso foi inaugurado, em 1960, era comum homens usarem chapéu em ocasiões formais.

Ao chegar ao Congresso, era costume retirar o chapéu antes de entrar no edifício. Havia, então, um espaço destinado a receber e guardar os chapéus dos visitantes e parlamentares.

Por causa dessa função, a entrada passou a ser conhecida como Chapelaria. O nome acabou permanecendo mesmo depois de o uso de chapéus deixar de fazer parte do vestuário cotidiano. Apesar disso, hoje, o espaço é oficialmente chamado de Salão Branco.

Chapelaria Salão Branco do Congresso Nacional
Salão Branco do Congresso Nacional, popularmente chamado de Chapelaria. Foto: Gustavo Lima/Acervo/Câmara dos Deputados

5. Escritas de candangos encontradas durante reforma

Durante uma reforma na Câmara dos Deputados, em 2011, trabalhadores encontraram inscrições a lápis feitas por candangos em 1959, quando Brasília ainda estava em construção.

Entre as mensagens deixadas nas paredes estavam frases que revelavam as expectativas daqueles trabalhadores sobre o futuro do país. Uma delas dizia: “Que os homens de amanhã que aqui vierem tenham compaixão dos nossos filhos, e que a lei se cumpra”, registrada em 24 de abril de 1959.

Outra inscrição dizia: “Se todos os brasileiros fossem dignos de honra e honestos, aqui teríamos um Brasil bem melhor.”

Escondidas por mais de cinco décadas, as mensagens mostram que os candangos não apenas construíram Brasília: também deixaram suas próprias palavras gravadas nas paredes da nova capital, como recados para as gerações que viriam depois.

Escritas de candangos encontradas durante reforma da Câmara dos Deputados
Escritas de candangos encontradas durante reforma. Foto: Leonardo Prado/Câmara dos Deputados

*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos, com informações de plenarinho.leg.br – Câmara dos Deputados e obrasilianista



FONTE: Folha Vitória


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