“300” é o filme mais gay da história, e quem admite é o próprio diretor

É isso mesmo: o filme que até semana passada era visto como a representação máxima da masculinidade e virilidade era apenas um bait gay. E foi o próprio diretor quem confirmou isso numa entrevista à revista Variety, na semana passada.

Zack Snyder acabou de lançar o filme A Última Fotografia, e ao que tudo indica estão esculhambando a produção. O caldo derramou já na estreia do filme, no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Choveram críticas ao roteiro, à duração e à violência explícita do filme. Snyder foi chamado até de “fascista” – para surpresa de zero pessoas, porque “fascista” hoje em dia tem o mesmo peso hoje de alguém te chamar de “bobo”; mérito dos progressistas mimizentos que usaram e abusaram de termos sérios para fazer pirraça com aqueles de quem eles não gostam.

Para Platão o amor que deveria existir entre homens não era sexual; era etéreo, sublime, assexuado

Na entrevista à revista Variety, Snyder resolveu responder à acusação, e ainda meteu o filme 300 no meio:

“Eu não sou fascista. Quando exibimos 300 no Festival de Cinema de Berlim, aconteceu exatamente a mesma coisa. Houve uma discussão imediata sobre o filme, e todos vaiaram e saíram da sala. Era a primeira vez que exibíamos o filme e ficamos tipo, ‘Que porra é essa?’ Eles diziam que era ‘um desastre’, ‘o pior filme de todos os tempos’ e um filme ‘fascista’. Depois tivemos uma coletiva de imprensa em que me fizeram um monte de perguntas, tipo ‘Você é um cineasta fascista?’ A pergunta marcante foi quando um dos caras perguntou: ‘Você é pró-gay ou pró-NRA? Qual você é?’ E eu respondi: ‘Olha, vou ser sincero: sou um pouquinho dos dois’. Mas, obviamente, sou pró-gay. Fiz o filme mais gay de todos os tempos. 300 é um dos filmes mais gays já feitos. Eu sempre digo: ‘Olha, existem poucos filmes em que as pessoas entram como heterossexuais e saem como gays, e 300 é um deles’.”

Nesse sentido, senhoras e senhores, Zack Snyder acertou em cheio na História. Uma fonte contemporânea peso-pesado da Grécia Clássica confirma isso para nós: Platão! Vejam o que ele diz na sua obra Leis, no livro VIII, seção 836 b-e. Platão fala sobre as leis adotadas por Esparta, e sobre como é desejável que as cidades se distanciem delas. O texto é pesado e, para os padrões modernos, explicitamente homofóbico, estejam avisados:

“Pois, embora em muitas outras questões Creta e a Lacedemônia [Esparta] nos forneçam – e com razão – uma ajuda considerável na elaboração de leis diferentes daquelas normalmente adotadas, no que diz respeito aos desejos sexuais – pois estamos falando apenas entre nós – elas se opõem completamente a nós. Pois bem: suponhamos que admitamos que essa prática esteja agora legalmente estabelecida, e que seja considerada nobre e de modo algum vergonhosa. Até que ponto ela promoveria a virtude? Produzirá, na alma daquele que é seduzido, um caráter corajoso? Ou, na alma daquele que o seduz, a qualidade da temperança? Ninguém jamais acreditaria nisso. Pelo contrário: assim como todos censuram a fraqueza [836e] daquele que sempre cede aos prazeres e nunca consegue resistir a eles, não censurariam igualmente o homem que desempenha o papel da mulher pela semelhança que apresenta com aquilo que imita?”

Para Platão, os espartanos eram depravados sexuais, e o filósofo faz referência ao seu hábito desnatural de um homem assumir o papel passivo de uma mulher, e que isso jamais produzia qualquer virtude em alguém. Isso prova como a sociedade grega está longe de se encaixar em romantizações modernas, e que os gays na Grécia Antiga eram discriminados também. Aliás, aqui o próprio Platão enterra os argumentos românticos dos defensores da “Grécia gay”, para os quais ele incentivava a homossexualidade no seu Banquete. Na realidade, para Platão o amor que deveria existir entre homens não era sexual; era etéreo, sublime, assexuado. Esse é o tão famoso “amor platônico”, que é tão mal compreendido e usado e abusado por ideologias identitárias hoje.

É o que eu sempre digo aqui, e no meu canal Brasão de Armas: não romantize o passado, porque em algum momento ele vai deixá-lo bem magoado.



FONTE: Gazeta do Povo


Descubra mais sobre Pauta Capixaba

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.